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Bateria e Contrabaixo na Música Popular Brasileira

de Ramon Montanhaur e Gilberto Syllos
Sem dúvida, este é um método que pode ser distribuído no Brasil
e no exterior. É um material fiel às origens dos ritmos nacionais
apresentados nele, o que o qualifica
como uma legítima fonte de pesquisa e estudo.

Por: Lauro Lellis

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Mesmo em meio à crise, aos poucos investimentos no setor cultural e a um certo desinteresse da galera ligada ao universo musical em relação aos livros, eis que chega bravamente ao mercado um método inédito, especificamente direcionado para bateria e contrabaixo. Lançado pela Lumiar e editado por Almir Chediak, Bateria e Contrabaixo na Música Popular Brasileira é de autoria dos competentes Ramon Montanhaur (baterista) e Gilberto de Syllos (baixista).

De forma geral, a idéia de reunir os dois instrumentos num único livro é pouco explorada. Por isso, transforma-se numa excelente opção. Entre outros itens, possibilita, tanto para bateras quanto para contrabaixistas, conhecer seu instrumento e habituar-se a ouvi-lo. Além disso, desperta o interesse para que ambos possam desenvolver uma interação entre si. E, assim, criar outras levadas a partir das demonstradas no método. Uma boa cozinha, como é normalmente chamada a base de um grupo, necessita de um entrosamento bacana para tocar com precisão.

Outro fator muito importante é o conceito de priorizar a combinação desses dois instrumentos, enfocando nosso diversificado universo musical por meio de gêneros significativos da nossa riqueza rítmica. Isso contribui para a manutenção, a valorização e a difusão de nossas raízes.
Dentro de uma perspectiva atual, os autores não se preocuparam em elaborar um método composto somente de grooves. Eles exploraram também seqüências e frases dos estilos propostos, procurando englobar nos exemplos gravados – além de baixo, bateria e percussão - instrumentos de corda, teclado e acordeão. Esse contexto auxilia a compreensão do estudante, pois o exemplo auditivo em forma de composições (trilhas) traz, sem dúvida, excelentes resultados. E é mais eficaz.

O livro apresenta um material vasto e, afora o CD que o acompanha, contém boas ilustrações. Também foram incluídas as explanações dos autores sobre o histórico de seus instrumentos, afinação, técnicas e inovações até ritmos como o samba e suas ramificações: marchas, frevo, ijexá, baião, xote, Maracatu (baque virado/luanda) e quadrilha, entre outros.
A parte prática do método é dividida em cinco tópicos. O primeiro deles enfoca o samba com seus principais estilos derivados, entre os quais vale destacar o samba-choro, gênero de extrema importância quando o assunto é MPB. Veja o exemplo na partitura um.

Outra abordagem interessante fica por conta das levadas de samba no prato, lembrando Edson Machado que, para quem não conhece, é considerado o precursor dessa forma de tocar. Acompanhe na partitura dois. Vale ressaltar que os exemplos de batera são acompanhados simultaneamente pelos de baixo, com a sua linguagem específica.
Na partitura três, há um exemplo do tópico IV sobre samba-reggae. Bateristicamente falando, entre os tópicos vale ressaltar o V (último). Porque, nesse, Ramon mostra técnicas e inovações que correspondem ao conceito de estimular o estudante ou o profissional a desenvolver o controle de tocar com dois pedais, utilizando jam blocks ou cowbell no pé esquerdo (destro) ou no pé direito (canhoto).

Segundo o autor, essa técnica de tocar com dois pedais com o mesmo pé (E/D) tem o intuito de obter outras sonoridades, diferentes daquelas já utilizadas por alguns bateristas que tocam somente PE/PD do pedal duplo (2º bumbo) e do pedal do chimbal.
Observe o exemplo na partitura quatro para você começar a exercitar esse conceito. Na cinco, existe uma levada incorporando o uso dos jam blocks no pé esquerdo (D). Para finalizar, o método é recomendado para os níveis intermediário e avançado.





Conclusão

Com certeza, trata-se de um livro que pode ser distribuído no Brasil e no exterior. É um material fiel às origens dos ritmos nacionais apresentados nele, o que o qualifica como uma verdadeira fonte de pesquisa e estudo.

Os autores foram criteriosos em cada tópico abordado e, sem dúvida, Ramon Montanhaur pode ser considerado - e é - um dos grandes nomes da batera brasileira na atualidade, principalmente quando o assunto é técnica de pé esquerdo (dois pedais).

Mesmo não contendo xaxado ou côco, ritmos que andam em evidência, esse trabalho é um estímulo à criatividade e à valorização de uma linguagem própria, tanto por bateristas quanto por contrabaixistas. Se ouvir o último track do CD, poderá comprovar a qualidade do trabalho de Gilberto Syllos com o tema “Forró do Gorducho”. Se você realmente gosta ou quer conhecer mais sobre música brasileira, esse livro não pode faltar em sua biblioteca. Vale a pena conferir. Consulte seu professor e bons estudos. Galera, madeira na pele e até a próxima!