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Batuque é um Privilégio - De Oscar Bolão

Nesta edição, apresentamos mais um livro criado, elaborado e desenvolvido por um músico brasileiro. Lançado pela Lumiar, editado por Almir Chediak, (In Memorian), Batuque é um privilégio é um trabalho de autoria do percussionista e baterista Oscar Bolão.

Por: Lauro Lellis
Fotos: Reprodução

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Esse livro, segundo o autor, é direcionado para músicos, compositores, arranjadores e é extensivo a estudantes do nível intermediário e avançado. Voltado para música do Rio de Janeiro, Bolão explorou os gêneros de maior importância nesse contexto, abrangendo tanto a linguagem da percussão quanto da bateria.

Oscar Bolão é um músico que cresceu em contato com a nata do samba carioca, freqüentando desde pequeno os ensaios de escolas de samba como a Mangueira, Portela, Salgueiro, entre outras. Com essa convivência com as raízes, acabou desenvolvendo uma identidade musical autêntica. Discípulo de Luciano Perrone, considerado o pai da “bateria brasileira”, e Luis Anunciação (Mestre Pinduca), Bolão é hoje uma referência sem igual quando o assunto é a música do nosso País. Além disso, já atuou e gravou tanto como baterista quanto como percussionista com praticamente todos os artistas da MPB. Tem em seu currículo participações na Orquestra Sinfônica Brasileira, Sinfônica Nacional, Orquestra Pró-Música do Rio de Janeiro entre outras.

É considerado também um grande pequisador da música brasileira dos anos 20 e 30 e é um fiel representante e propagador do estilo de tocar de Luciano Perrone. Em se tratando de escrita musical, é difícil colocar no papel toda essa experiência, o sentimento, o molho, as interpretações e truques desse contagiante universo rítmico. Mesmo assim, o autor conseguiu de forma clara e organizada expor as principais levadas, padrões e características tanto dos instrumentos de percussão- com ênfase para uma de nossas maiores riquezas percussivas, a escola de samba, quanto da bateria. Bolão nos mostra ainda uma retrospectiva desde o final do século XIX dos gêneros de maior importância na música carioca e, consequentemente, da história da música no Brasil, como a valsa brasileira, a polca, o maxixe, o choro, a marchinha. E inclui capítulos abordando o samba e suas ramificações com destaque para o pagode, o partido alto, a bossa nova, o samba-canção e o samba-escola.

Em relação aos instrumentos, o autor apresenta, por meio de escrita específica, exercícios e frases para pandeiro, surdo, tamborim, cuíca, agogô, reco-reco, repique de mão, tarol entre outros. Sob o ponto de vista da bateria, veremos diversas levadas que vão desde o samba com pedal duplo, combinações de frases interagindo surdo e bumbo, surdo e caixa, samba cruzado, até os exercícios e padrões direcionados para os estilos musicais já citados. O livro é finalizado com uma parte destinada à biografia e ao toque do Mestre Luciano Perrone. Todo esse conteúdo possui um resumo histórico, fotos ilustrativas e de um CD com 98 tracks. Ao todo são 161 páginas. Para cada exemplo dos instrumentos de percussão, temos um pequeno glossário com uma notação simples desenvolvida pelo autor.

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Conclusão

Oscar Bolão nos presenteia com um excelente livro, contribuindo para o crescimento da nossa metodologia, revalorizando e mantendo vivas as raízes dos nossos ritmos e, consequentemente, da nossa música. Músico de uma vivência impar, representante autêntico da percussão brasileira, Bolão explorou de forma criteriosa, com uma didática simples e eficaz, tanto os instrumentos de percussão com enfoque na escola de samba quanto da bateria , priorizando os gêneros mais significativos do universo musical carioca. Entre outros destaques desse livro, vale citar o capítulo destinado a Luciano Perrone.

É uma ótima oportunidade para que os músicos ou estudantes mais jovens possam conhecer e se certificar de que a bateria brasileira tem história e que a nossa música é de uma riqueza sem igual devendo, cada vez mais, ser cultuada. Muitos ainda não se deram conta de que o Brasil também teve e tem seus ídolos como Gen Krupa, Buddy Rich, Tony Willians dentre outros. Bateristas como Luciano Perrone, Mestre Pinduca, Milton Banana, Bituca e Edson Machado deverão ser sempre lembrados como os precursores da batera brasileira, pois fazem parte da história incontestavelmente. Particularmente, não desejo que esse livro fique apenas nas prateleiras das lojas, pois independente de estilos ou gostos, o que temos aqui entre, outros fatores, é um pouco da história da bateria.

E só por isso já vale a pena você ter em casa ou na sua escola. Finalizando, posso dizer que o privilégio aqui foi meu em ler e reler esse excelente material. Agora, você pode até não querer tocar samba, só que não pode dar desculpas pois tem material de sobra.
Moçada, bons estudos, madeira na pele e até a próxima!




Confira a matéria completa na edição 76/Dezembro de 2003 da Revista Batera & Percussão.