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Samba Brasil word Music

Um título altamente abrangente e sugestivo, lançamento da Lumiar e editado pelo competente e saudoso Almir Chediak, o livro em questão, SAMBA WORLD MUSIC, de autoria do músico australiano Mike Ryan, tem como proposta auxiliar estudantes iniciantes e profissionais

Por: Lauro Lellis

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Dentro do contexto que envolve a música mundial, poucas são as linguagens que conseguem, de certa forma, penetrar nas mais diversas “etnias “. Entre elas pode-se destacar o samba e suas ramificações, como o samba reggae, samba salsa, samba hip hop, samba rap e samba funk. Já não é de hoje que o interesse pela nossa diversidade rítmica vem crescendo em várias partes do mundo, principalmente na Europa e Estados Unidos. Segundo alguns críticos, não há duvida que o samba é, entre outros, o gênero musical que mais simboliza nossa “cultura musical popular”.

Isso vem ao encontro da razão pela qual um músico australiano, o trompetista Mike Ryan- radicado no Brasil com extensa formação acadêmica e uma larga experiência e envolvimento com a world music- dedicou-se de forma intensa à pesquisa do samba e todo seu contexto rítmico, resultando no trabalho em questão. Salf, samba influenciado ( afro + latino + funk) assim definido pelo autor, é um livro composto por 161 páginas que vem com um CD com 36 faixa.

No disco você vai encontrar gravações abrangendo as células rítmicas apresentadas no livro num total de 150 figuras, tracks 1 a 26; além de grooves de samba, hip hop, rap e house nas faixas a 31. O livro é dividido em quatro partes. Mike Ryan idealizou no Salf
uma nomenclatura própria com o objetivo de auxiliar e facilitar a compreensão do estudante na divisão rítmica, desenvolver o aprendizado da leitura à primeira vista assim como da escrita sem, é claro, substituir as tradicionais figuras.

A notação própria utilizada na primeira e segunda partes é feita por meio de um sistema em forma de retângulo, cada um com quatro blocos, similar a um grupo de semicolcheias. Além disso, o autor desenvolveu uma técnica própria, que ele afirma ser inovadora e essencial para a obtenção do sucesso com o método. Os termos andando parado ( samba walk = sw), o chocalho (samba-shaker - ss) e vocalizações (samba vocal = sv), foram criados e incorporados ao longo dos exemplos e exercícios para atingir o objetivo proposto. Veja nas partituras 1, 2 e 3 exemplo desse contexto.

O livro em questão pode ser utilizado por estudantes e profissionais de qualquer instrumento, desde que a linguagem musical proposta vá ao encontro do seu interesse. Finalizando, veja o exemplo de uma série de combinações das células rítmicas apresentadas na quarta parte do livro.
Conclusão
Realmente um trabalho de qualidade, com bom conteúdo e fiel ao título. As células rítmicas apresentadas no livro representam, sem dúvida, a linguagem utilizada no samba e em algumas de suas ramificações. Entre elas o funk. É um método de rítmica em que
a quarta parte é, talvez, a mais útil para que a turma do intermediário e avançado possa praticar e aplicar no instrumento de sua preferência.

No entanto, alguns conceitos propostos pelo autor direcionados ao iniciante vão
demandar o acompanhamento de um profissional, principalmente sob o ponto de vista
do aprendizado da batera, pois no geral ainda existe uma forte tendência do ensino a seguir um único conceito ou utilizar um único método quando o assunto é leitura rítmica,
atenção. No mais, esse é um trabalho inteligente, talvez por isso algumas vezes
complexo, com uma proposta inovadora que no fundo desperta uma forma de desafio
para quem se interessar pelo conteúdo. Com certeza esse livro possui ótimas perspectivas para despontar no mercado internacional. Confira. Valeu galera, madeira na pele e até a próxima!